O cachorrinho Samba... na floresta, na Bahia, na Rússia, entre os índios, na fazenda; por Maria José Dupré (Sra. Leandro Dupré)

Os livros infantis de Maria José Dupré – Parte 2: As aventuras do cachorrinho Samba na cidade, na fazenda, na floresta, na Bahia e na Rússia!

por Daniel Medeiros Padovani

Capa de "O cachorrinho Samba",
pela Editora Brasiliense,
por André LeBlanc
Conforme foi mostrado na postagem anterior [link], a escritora Maria José Dupré escreveu quatro livros para o público infantil com aventuras de um grupo de crianças em uma fazenda de Taubaté. No último livro dessa série, A mina de ouro (1946), um novo personagem foi apresentado. Referimo-nos a um cachorrinho chamado Samba, que conseguiu conduzir as crianças para fora de uma série de túneis em uma montanha através de seu senso de orientação canino.

O adorável cachorro com certeza conquistou o coração da escritora, que realmente tinha em sua casa um cão chamado Samba, induzindo-a a criar uma série de aventuras para esse corajoso cãozinho. Três anos depois de sua participação em A mina de ouro, Samba ganha um livro só seu: O cachorrinho Samba, publicado em 1949 pela editora Brasiliense.

Capa de "O cachorrinho Samba",
pela Editora Saraiva,
´por Nico Rosso
O livro inicia com a chegada do cãozinho, ainda com dois meses de idade, à casa de seus futuros donos. Era o mês de fevereiro, época do Carnaval, e enquanto no rádio sambas eram tocados, o pequeno filhote parecia dançar ao som do ritmo. Dessa engraçada cena é que surgiu a inspiração para seu nome: Samba. Os nomes das crianças da casa que tiveram a sorte de ganhar Samba foram Vera e Pedro, filhos de dona Maria e do "doutor". É isso mesmo, galera, Pedro é o mesmo Pedrinho de A mina de ouro e primo dos aventureiros Henrique, Eduardo, Oscar, Quico, Lúcia e Cecília dos livros da série infantil anterior da escritora, tanto é que eles visitam a casa e brincam com o pequeno Samba, que é cuidado e alimentado pela empregada da casa, Dermina, e tem um carinho imenso pela Vovó e seu colinho macio.

Na casa de Pedro existe outro cão, Whisky, que despreza Samba no início. Certo dia, Whisky consegue escapar da casa e ao voltar mostra à Samba as desvantagens da vida na rua, já que ele volta todo machucado. Mas Samba não aprende a lição através do exemplo ocorrido com Whisky, e acaba fugindo de casa também. Em sua rua, ele conhece um cão da vizinhança chamado Cricri, que o convida a dar uma volta pela vizinhança. No caminho, eles conhecem outro cão, vira-lata, e Samba decide mostrar sua coragem ao deixar Cricri voltar sozinho, indo para mais longe de sua casa, perdendo-se na cidade. E assim como aconteceu com Whisky, Samba descobre por conta própria a dureza da vida nas ruas de uma cidade grande: pulgas, fome, pessoas ameaçadoras, lugares desconhecidos. Além disso, ele é preso por outra família, que corta seu rabo, e lhe dá um novo nome, Feitiço. Agora, Samba precisa conseguir uma nova oportunidade de fuga, para assim tentar voltar para o seu verdadeiro lar. 
  

Capa de "O cachorrinho Samba na floresta",
pela Editora Brasiliense,
por André LeBlanc
No segundo livro da série, O cachorrinho Samba na floresta, publicado pela editora Brasiliense em 1952, Samba vai morar numa chácara. Curioso como ele só, decide ir até uma floresta próxima à chácara para descobrir se existe algo interessante por lá. Penetrando cada vez mais na mata, Samba não encontra o caminho de volta naquele mundo verde, cheio de mistérios e perigos. Em certo momento, Samba escuta um estranho barulho, e descobre que caçadores estavam à procura de macacos saguis. Um dos animais caçado consegue fugir e se torna amigo de Samba, apresentando a ele o fantástico mundo de vida na floresta. Mas uma onça-pintada está à espreita, e Samba e seus amigos terão que dar um jeito de escapar dela, para que ele possa voltar para sua casa.

Capa de "O cachorrinho Samba na floresta",
pela Editora Saraiva,
por Francisco Xavier de Paiva Andrade
Os dois livros foram publicados inicialmente pela editora Brasiliense e teve a capa e as ilustrações internas desenhadas pelo haitiano André LeBlanc (1921-1998). A partir do final da década de 1950, mais exatamente a partir de 1957, Maria José Dupré (ou Senhora Leandro Dupré, como era conhecida na época) passou a publicar seus livros pela editora Saraiva. A editora relançou novamente os dois livros da série (juntamente com os outros livros da autora). O italiano Nico Rosso (1910-1981) desenhou a capa e as ilustrações de O cachorrinho Samba, enquanto o brasileiro Francisco Xavier de Paiva Andrade (1896-1972) desenhou de O cachorrinho Samba na floresta. E as aventuras do pequeno Samba não pararia por aí. Maria José Dupré ainda lançaria mais 4 livros com as aventuras do cão pela editora Saraiva...

Capa de "O cachorrinho Samba na Bahia",
péla Editora Saraiva,
por Nico Rosso
E Maria José Dupré veio com a nova aventura do cãozinho no mesmo ano em que passou a publicar na editora Saraiva. Em 1957 ela publicou O cachorrinho Samba na Bahia (que teve sua 2ª edição lançada em 1967). Dessa vez, como o próprio título diz, Samba viaja para Bahia, conhecendo vários locais interessantes nesse estado brasileiro. O livro não é editado no Brasil a 50 anos (em 2017), talvez devido a várias passagens consideradas preconceituosas nos dias de hoje, principalmente com relação aos sertanejos participantes da Guerra dos Canudos, liderados pelo beato Antônio Conselheiro. A capa e as ilustrações foram criadas por Nico Rosso.

Capa de "O cachorrinho Samba na Rússia",
pela Editora Saraiva,
por Francisco Xavier de Paiva Andrade
A quarta aventura de Samba foi publicada em 1964 e agora suas andanças acontece internacionalmente. Ele vai para a Rússia! Com capa e ilustrações de Francisco Xavier de Paiva Andrade,  O cachorrinho Samba na Rússia ganhou no ano de seu lançamento o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, que é considerado o maior prêmio literário do Brasil. Apesar disso ele teve apenas essa edição, talvez por se passar na Rússia (comunista/socialista) num ano que o Brasil estava entrando na ditadura militar. No ano seguinte, 1965, saía o quinto livro de Samba, O cachorrinho Samba entre os índios, com suas proezas realizadas entre os índios brasileiros, o que já fica claríssimo no título, rsrsrs... Ambos os livros deixaram de ser editados, assim como O cachorrinho Samba na Bahia, no final da década de 1960. Novamente Francisco Xavier de Paiva Andrade desenhou as capas e as ilustrações.

Capa de "O cachorrinho Samba na Fazenda Maristela",
pela Editora Saraiva,
por Francisco Xavier de Paiva Andrade
O último livro da série, lançado em 1967, recebeu o título de O cachorrinho Samba na Fazenda Maristela, e teve outra vez a capa e as ilustrações por Francisco Xavier de Paiva Andrade. Nessa nova aventura, Samba viaja de avião com sua dona para passar uma temporada na Fazenda Maristela. Lá ele conhece dois cachorros, a xará Samba e a Kube. Os três participam de brincadeiras com seus donos, enquanto o Samba da cidade participa do dia a dia de quem vive no campo, com atividades como andar a cavalo, encontrar algumas vacas, caçar tatu, entre outras. E assim são encerradas as muitas aventuras do cachorrinho Samba em 18 anos de existência (a série começou a ser publicada em 1949 e o último volume inédito saiu em 1967).

Capa de "O cachorrinho Samba entre os índios",
pela Editora Saraiva,
por Francisco Xavier de Paiva Andrade
No começo da década de 1970, os direitos de publicação das obras de Maria José Dupré passaram para a editora Ática, que continua reeditando os livros infantis da autora até os dias de hoje, tornando conhecido por muitos garotos e garotas do século XXI esses personagens marcantes que encantam gerações há mais de setenta anos (ou seja, possivelmente seus pais ou avós também leram as aventuras do cachorrinho Samba e das crianças na fazenda do padrinho em sua infância). Mas, infelizmente, por motivos desconhecidos por esse humilde blogueiro que vos escreve (rsrsrsrs), quatro dos livros infantis da autora não foram reeditados pela Ática. São eles: Aventuras de Vera, Lúcia, Pingo e Pipoca; O cachorrinho Samba na Bahia; O cachorrinho Samba na Rússia; e O cachorrinho Samba entre os índios. A ilha perdida passou a ser lançado na queridíssima série Vaga-Lume, e aí fez uma história de sucesso estrondoso, com milhões de cópias vendidas. Os outros foram publicados pela Ática dentro de uma coleção que a editora batizou de "Cachorrinho Samba". Estão lá A montanha encantada, A mina de ouro, O cachorrinho Samba, O cachorrinho Samba na floresta e O cachorrinho Samba na fazenda, que como vocês puderam perceber, perdeu o nome da fazenda (Maristela) no título. Sobre a publicação da obra de Maria José Dupré na editora Ática, leia mais na postagem que se encontra nesse link.

E para terminar essa postagem, fica a citação que Maria José Dupré fez do poeta brasileiro Belmiro Ferreira Braga (1872-1937) no final de O cachorrinho Samba:

Se entre amigos encontrei cachorro. Entre os cachorros encontrei-te, amigo!


Sem mais, good reading for you, buena lectura para usted, buona lettura per voi, bonne lecture pour vous, gute lektüre für sie, pānui pai hoki a koutou, sizin için iyi bir okuma... Boa leitura para vocês! \o/

Aventuras de Vera, Lúcia, Pingo e Pipoca; A ilha perdida; A montanha encantada; A mina de ouro; por Maria José Dupré (Senhora Leandro Dupré)

Os livros infantis de Maria José Dupré – Parte 1: Diversão e aventuras na fazenda do padrinho

por Daniel Medeiros Padovani

Capa do livro "A montanha encantada",
pela Editora Saraiva,
por Francisco Xavier de Paiva Andrade
1943 foi um ano marcante na carreira da Sra. Leandro Dupré, a nossa querida escritora Maria José Dupré (1905-1984). Seu primeiro livro, O romance de Teresa Bernard, ganhava sua segunda edição devido ao grande sucesso alcançado (leia mais nesse link). Ao mesmo tempo, lançava seu segundo livro, Éramos seis, que se tornaria em pouco tempo sua obra-prima, levando-a ao Prêmio Raul Pompéia da Academia Brasileira de Letras no ano seguinte (leia mais nesse link). Para terminar o marcante ano, seu marido, o engenheiro Leandro Dupré, a insere como sócia da recém-fundada editora Brasiliense, que tinha entre seus sócios fundadores o grandioso Monteiro Lobato, o pai e rei da literatura infantil brasileira (tanto que o Dia Nacional do Livro Infantil é comemorado em 18 de abril, data de nascimento do amado escritor). Coincidência ou não, esse ano marcaria também o ingresso de Maria José Dupré no mundo da literatura infantil.

Sua estreia se deu com Aventuras de Vera, Lúcia, Pingo e Pipoca publicado por sua nova casa editorial, a Brasiliense, que também trouxe novas edições de seus dois livros anteriores. Os personagens desse novo livro são crianças da cidade que transforma suas brincadeiras em aventuras num ambiente rural junto com seus parentes da fazenda.

Capa de "Aventuras de Véra e Lucia, Pingo e Pipóca",
pela Editora Brasiliense,
por Jurandir Ubirajara Campos (J.U. Campos)
Vera e Lúcia são primas que vivem na grande cidade de São Paulo. À convite do padrinho de Vera, as meninas vão passar as férias na fazenda do mesmo, que fica em Taubaté. Junto, levam seus cachorros Pingo e Pipoca. A casa da fazenda fica numa região alta onde dá pra ver as serras, morros e campos que circundam a área. Mas o que mais encanta as garotas é o rio que corta a fazenda, fazendo curvas e mais curvas em seu caminho. Juntamente com os filhos do padrinho, Quico e Oscar, as garotas e os cachorros se divertem nesse ambiente rural em aventuras deliciosas.

Assim, como ocorreu com Éramos seis, o livro recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio Raul Pompéia. A primeira edição do livro, publicado em 1943 pela editora Brasiliense, teve sua capa e as ilustrações internas desenhadas pelo paulistano J. U. Campos (Jurandir Ubirajara Campos, 1903-1972), o genro de Monteiro Lobato. E assim com aconteceria com todas as obras de Maria José Dupré, Aventuras de Vera, Lúcia, Pingo e Pipoca (Aventuras de Véra e Lucia, Pingo e Pipóca, na grafia da 1ª edição) seriam reeditados pela editora Saraiva entre o final da década de 1950 e década de 1960.

Capa de "Aventuras de Vera, Lúcia, Pingo e Pipoca",
pela Editora Saraiva,
por Nico Rosso
Mas as aventuras das crianças na fazenda do padrinho não parariam por aí. Elas voltariam nos próximos anos a viver suas façanhas em mais três livros da escritora: os famosos A ilha perdida (1944), A montanha encantada (1945) e A mina de ouro (1946). Com exceção de Aventuras de Vera, Lúcia, Pingo e Pipoca que teve sua última edição na metade da década de 1960 (ou seja, a mais de 45 anos), os outros títulos são publicados até os dias de hoje pela editora Ática, encantando crianças de várias gerações.

Em A ilha perdida, Maria José Dupré volta ao universo da fazenda do padrinho quando dois primos de Quico e Oscar vão passar outras férias no local. Dessa vez os aventureiros serão os irmãos Henrique e Eduardo. Eles ficaram intrigados com uma ilha inexplorada que existe bem no meio do rio que corta a fazenda, aquele mesmo rio cheio de curvas que encantaram Vera e Lúcia. Os dois irmãos decidem chegar até à "ilha perdida", mesmo com a proibição do padrinho, para explorá-la. Ao descobrirem uma canoa abandonada à beira do rio, vê seus desejos tomarem forma. E assim remam até a ilha, mas não sem antes conseguirem um almoço bem reforçado com Eufrosina, a cozinheira da fazenda...
Capa de "A ilha perdida",
pela Editora Brasiliense,
por André LeBlanc

"Quem viveria lá? Seria habitada? Teria algum bicho escondido na mata?"
(citação extraída dos parágrafos iniciais do livro "A ilha perdida")

Capa de "A ilha perdida",
pela Editora Saraiva,
por Nico Rosso
Chegando lá, eles começam a andar pela mata da ilha, mas ao começar o anoitecer, decidem voltar para canoa, que sumiu! Passam a noite na ilha e na manhã seguinte veem um pesado tronco trago pela correnteza do rio destruir a canoa. Eduardo decide explorar mais um pouco a ilha, enquanto Henrique fica descansando na prainha. De repente, um homem barbudo, cabeludo e quase nu aparece e leva Henrique para uma caverna. O nome do habitante da ilha é Simão. Mas, apesar do que mostra sua aparência, Simão é um homem bom que ama viver entre os animais na floresta. E assim, na companhia de Simão, Henrique recebe uma bela lição de ecologia e meio ambiente. Após dias em companhia de Simão, Henrique volta para a prainha e descobre que seu irmão construiu uma jangada, que seria seu passaporte para voltar à casa do padrinho. Ah, e as meninas Vera e Lúcia, juntamente com seus cachorros Pingo e Pìpoca, aparecem nos capítulos finais do livro para mais uma temporada de férias.

Capa de "A montanha encantada",
pela Editora Brasiliense,
por André LeBlanc
Na terceira aventura da turma, A montanha encantada, as crianças voltam para a fazenda do padrinho para mais um período de férias. Desta vez, Vera, Lúcia, Quico, Oscar e Cecília ficam curiosos em descobrir o que significa a estranha luz que aparece no cume de uma montanha próxima. Com a aprovação do padrinho, as cinco crianças e os cachorros Pingo e Pipoca partem para uma excursão à "Montanha Encantada", onde escutam uma misteriosa música que aguçam sua curiosidade. Ao cair num buraco, eles são levados a um mundo novo, habitado por anões mineradores de ouro e descobrem qual é o segredo envolvendo a misteriosa luz.

Capa de "A mina de ouro",
pela Editora Brasiliense,
´por André LeBlanc
Por fim, chegamos ao quarto e último livro da série, A mina de ouro. Em nova estadia no período de férias escolares, a criançada de sempre (Henrique, Eduardo, Quico, Oscar, Vera, Cecília e o garoto Pedrinho) resolvem fazer um piquenique no Morro do Jaraguá. Para fazer companhia para eles, o novo mascote da turma: o cachorrinho Samba. No caminho, eles encontram um velha escada esculpida na rocha que os conduzem a uma mina de ouro abandonada (novamente!). Investigando mais profundamente os túneis da mina, eles perdem o caminho de volta, encontrando uma sala coberta de ouro onde passam dias. Somente as habilidades de orientação do cachorrinho Samba são capazes de conduzi-los ao caminho de saída e reencontrar Pedrinho, que não quis descer com eles na escada.

Capa de "A mina de ouro",
pela Editora Saraiva,
por Nico Rosso
Com esse livro, Maria José Dupré (ou Sra. Leandro Dupré, como assinava seus livros na época) encerra o ciclo de aventuras dessas crianças nas imediações da fazenda do Padrinho. Mas a literatura infantil de Maria José Dupré não pararia por aí. O grande herói do último livro, o cachorrinho Samba, que conduziu as crianças para fora da mina de ouro, ganharia nos anos posteriores uma série de seis livros que narrariam especificamente suas aventuras. E foram muitas e em muitos locais diferentes: na cidade grande, na floresta, na Bahia, na Rússia, entre os índios e na fazenda. Mas esse será o assunto da próxima postagem [link]. Por enquanto, basta saber que como já citado os livros foram publicados primeiramente pela editora Brasiliense e posteriormente pela editora Saraiva. Pela Brasiliense as capas e as ilustrações foram desenhadas pelo haitiano André LeBlanc (1921-1998), o mesmo ilustrador dos livros de Monteiro Lobato nas décadas de 1940, 1950 e 1960. A única exceção foi o primeiro livro da série, que como já citado, teve as ilustrações criadas por J. U. Campos. Pela editora Saraiva, as capas e ilustrações dos livros foram realizadas pelo italiano Nico Rosso (1910-1981), que ilustrou muitas capas dos livros publicados pela editora Saraiva nesse período. A única exceção foi a capa e ilustrações de A montanha encantada, produzidas por Francisco Xavier de Paiva Andrade (1896-1972). E, por fim, na década de 1970, os livros chegaram à editora Ática [link], onde continua encantando crianças até os dias de hoje!

Sem mais, good reading for you, buena lectura para usted, buona lettura per voi, bonne lecture pour vous, gute lektüre für sie, pānui pai hoki a koutou, sizin için iyi bir okuma... Boa leitura para vocês! \o/

Éramos seis; Dona Lola, por Maria José Dupré (Sra. Leandro Dupré)

Depois do sucesso, a consagração. Sra. Leandro Dupré lança sua obra-prima: Éramos Seis.

por Daniel Medeiros Padovani

Capa da 1ª edição do livro de 1943,
publicada pela Companhia Editora Nacional,
com ilustração de Dorca
Na postagem anterior [link], foram narrados os bastidores do lançamento do primeiro livro da autora brasileira Maria José Dupré, na época conhecida como Sra. Leandro Dupré. O romance de Teresa Bernard alcançou grande sucesso, mas nada comparado ao sucesso que alcançaria o livro seguinte da escritora: Éramos seis. Acredito que são poucos os leitores no Brasil que não tenham pelo menos ouvido falar da saga da bondosa Dona Lola na criação de seus quatro filhos.

A primeira edição do livro chegou às livrarias em 1943 pela Companhia Editora Nacional. Após isso, o livro passou a ser reeditado, ano após ano, por várias editoras, até chegar ainda com força nos dias atuais. Foram milhões de cópias vendidas, além de tradução para o espanhol, francês e sueco (na realidade, Éramos seis foi o primeiro romance brasileiro traduzido para o sueco).

Éramos seis é a história de luta e perseverança de uma família, que com coragem enfrentam os problemas do dia a dia e sobrevivem em meio às dificuldades econômicas. Os acontecimentos que se sucedem são narrados por Eleonora, a Dona Lola, uma bondosa e batalhadora mulher que faz de tudo pela felicidade do marido, Júlio, vendedor numa loja de tecidos, e dos quatro filhos do casal: Carlos (o Calucho), Alfredo, Julinho e Maria Isabel. A casa da família, situada na Avenida Angélica, em São Paulo, é o cenário das alegrias e tristezas dessa família que se parece com muitas famílias brasileiras. Na casa ainda vivem a empregada Durvalina e o gato de Isabel, Caçarola.

A mesma ilustração de Dorca na capa
da Editora Brasiliense, 1944-1945,
desta vez mencionando o prêmio ganho pela obra
Dona Lola narra sua história desde a infância de seus amados filhos, numa época que Júlio trabalhava arduamente para pagar as prestações da casa, até chegar à idade adulta dos mesmos e os caminhos tomados por cada um. São 28 anos de narrativa, que se inicia por volta de 1914 e se entende até 1942, visualizando dois eventos históricos ocorridos na cidade de São Paulo e que influencia o dia a dia desses amados personagens: a Revolução Paulista de 1924 e a Revolução Constitucionalista de 1932 (que deu origem ao feriado de 9 de julho no estado de São Paulo, e que nomeia algumas ruas e avenidas no estado).

A família de Dona Lola, formada por sua mãe e as irmãs Clotilde e Olga, vive na cidade de Itapetininga, onde, em certo momento da narrativa, Lola e seus filhos vão passar alguns dias de férias. Na cidade ainda vivem Tia Candoca (única irmã da mãe de Lola), com sua filha Mocinha, o genro Nelson e seus animais de estimação (sua cadela Pirata, seu papagaio Mulata e a cabritinha Esmeralda), além da fofoqueira Dona Carola e Zeca, o jovem rapaz que casaria com Olga anos depois (e lhe daria cinco filhos!). Dona Lola também tem uma tia rica em São Paulo, Emília, irmã de seu pai, já falecido, uma senhora fanática pelas árvores genealógicas das famílias paulistanas, e que vive com as filhas Adelaide e Justina (que falece logo no começo do livro) num lindo palacete na Rua Guaianases. É nesse palacete que ocorre o casamento de Laura, sua neta, e colocam em contato Dona Lola e Júlio ao luxo das famílias ricas de São Paulo. Entre os convidados estão Tia Elvira, outra irmã do pai de Lola. Da família de Júlio, só são mencionadas no livro sua mãe e sua irmã Maria, moradoras de Belo Horizonte, que passam alguns dias na casa de Júlio, e o Tio Inácio.

Nesse mesmo ano, no dia do meu aniversário, recebi de Clotilde três caixinhas de figos secos, três "tijolos" de goiabada (pedindo desculpas porque dessa vez saiu puxa-puxa) e três latinhas de doce de marmelo. Olhei tristemente pensando: "Quem havia de dizer! Somos apenas três, e Éramos Seis!"
(trecho extraído do final do capítulo 15)

Pequena alteração no layout da capa
e nas cores da ilustração de Dorca,
Editora Brasiliense, 1953
De Itapetinga são enviados regularmente para Dona Lola e sua família tijolos de doces, já que sua mãe e suas irmãs são doceiras. É através desses tijolos que Dona Lola nota a diminuição de sua família, já que o número de tijolos enviados inicialmente era um para cada pessoa do grupo familiar, ou seja, seis, e vai diminuindo com o tempo conforme seus filhos vão tomando seu rumo na vida: seu marido morre cedo devido a problema de saúde; seu rebelde filho Alfredo some pelo mundo; sua caçula Isabel casa-se com Felício, que para desgosto de Dona Lola é um homem desquitado, algo polêmico e inaceitável na época; Julinho começa a trabalhar na mesma loja em que seu pai trabalhava e se casa com Maria Laura, a filha do patrão, Barbosa. Para entrar em sociedade com o sogro numa filial que seria aberta no Rio de Janeiro, Julinho consegue convencer Dona Lola à vender sua amada residência da Avenida Angélica. No final, sobram apenas Dona Lola e o amoroso filho mais velho, Carlos. Mas até mesmo esse último refrigério é tirado de Lola, já que seu amado filho morre vítima de uma doença estomacal, a mesma que matou seu pai anos antes.

Capa criada por Nico Rosso
para a Editora Saraiva, 1957 e 1964
À Dona Lola só resta as lembranças de uma vida dedicada ao marido e aos filhos, enquanto envelhece sozinha num pequeno quarto do convento das Irmãs Esperança, na rua Consolação, que lhe permite ainda frequentar o Teatro Municipal. Lembranças das repreensões ao
Capa da Editora Saraiva,
entre 1966-1969, já com o nome
Maria José Dupré.
Criação de Nico Rosso.
seu arteiro filho Alfredo, quando aprontava com os também bagunceiros Vira-Mundo e Raio Negro. Lembranças das conversas com a vizinha Dona Genú, que amava funerais. Lembranças das brincadeiras de seus filhos com as filhas de Dona Genú: Joca, Lili e Leonor. Lembranças... Lembranças de um tempo que "éramos seis".

O livro, que ganhou o Prêmio Raul Pompéia (da Academia Brasileira de Letras) em 1944, foi escrito inicialmente para o público adulto, mas ao ser colocado no catálogo da coleção Vaga-Lume da editora Ática a partir 1973, passou a ser lido por muitos jovens em idade escolar. Ele traz alguns assuntos polêmicos para a época que refletiam as mudanças e o cotidiano da família brasileira na década de 1920 e 1930, como o preconceito por pessoas divorciadas ou separadas, a dura realidade da criação e educação de filhos, a diferença existente entre ricos e pobres, o uso de grosseria na comunicação familiar, entre muitos outros.

Capa para o livro Dona Lola,
nos traços do alemão Walter Lewy,
para a Editora Brasiliense, 1949
Éramos seis foi o maior sucesso de Maria José Dupré, e devido a esse sucesso alcançado, os leitores ficaram curiosos em saber como Dona Lola passou seus últimos anos depois dos eventos narrados no livro. Para saciar essa curiosidade, seis anos depois do lançamento de Éramos seis (1943), Maria José Dupré publicou uma sequência, o livro Dona Lola (em setembro de 1949). Nessa sequência, Dona Lola já não vive mais no quartinho da pensão das freiras. Ela foi morar com sua filha Isabel, no pobre bairro de Cambuci, ajustando-se a um novo tipo de vida. O livro traz o resultado, alegre ou triste, das decisões tomadas pelos filhos de Dona Lola no rumo tomado na vida. A bondosa Dona Lola sofre devido ao que a vida reservou para seus dois filhos "rebeldes", Isabel e Alfredo, já que Isabel é agredida pelo marido e Alfredo volta louco da guerra. Em compensação, apesar de distante, Julinho tornou-se um comerciante bem sucedido no Rio de Janeiro. Por se passar durante o período final da Segunda Guerra Mundial, o texto reflete o desespero das famílias brasileiras da época que tinham parentes e amigos lutando no conflito (os pracinhas).

Mais uma criação de Nico Rosso
para a Editora Saraiva (1958 e 1968)
O livro Dona Lola foi publicado pela editora Brasiliense em 4 edições na primeira metade da década de 1950. A capa da primeira edição foi desenhada pelo judeu alemão Walter Lewy (1905-1995), que deixou a Alemanha em 1938, numa época que o nazismo começou a proibir manifestações artísticas dos judeus, estabelecendo residência em São Paulo. Walter Lewy é considerado o pai do surrealismo no Brasil. Duas novas edições foram publicadas pela editora Saraiva em 1958 e 1968. Após isso, o livro saiu de catálogo no Brasil. Passados mais de 45 anos da publicação da última edição, esse é um livro raro que pode ser encontrado apenas em alguns sebos ou bibliotecas com acervo que contenha livros muito antigos. Mas para os interessados em saber o destino de Dona Lola e sua família, vale a pena o garimpo literário.

Outra capa desenhada por Nico Rosso,
desta vez para a Coleção Saraiva,
em dois volumes (Nº 141 e 142),
publicados em março e abril de 1960
Com um drama tão familiar, não seria de estranhar o apelo que Éramos seis tem para ser adaptado pela televisão brasileira como telenovelas, tão presentes nos cotidianos das famílias do Brasil. Foram quatro adaptações, além de um filme produzido pelo cinema argentino em 1945. O filme foi dirigido por Carlos F. Borcosque (que também escreveu o roteiro), e teve no elenco Perla Achával, Roberto Ariraldi, Tito Alonso, Juan Carlos Barbieri, Amalia Bernabé, Carlos Cores, Maria Rosa Gallo, Herminia Llorente, Sabina Olmos, Amalia Sánchez Ariño e Oscar Valicelli.

A primeira adaptação foi escrita por Ciro Bassini e era exibida ao vivo, duas vezes por semana, em 1958 pela TV Record. Dona Lola foi interpretada por Gessy Arruda e Júlio por Gilberto Chagas. Os papéis dos filhos de Dona Lola foram realizados por Randal Juliano (Carlos), Fábio Cardoso (Alfredo), Silvio Luiz (Julinho) e Arlete Montenegro (Isabel).

A segunda adaptação, de Pola Civelli, foi exibida pela TV Tupi no horário das 19 horas entre 1 de maio e 2 de junho de 1967, com direção de Hélio Souto. Nessa versão, Dona Lola foi interpretada por Cleide Yáconis e Júlio por Silvio Rocha. Os filhos de Dona Lola na infância foram interpretados por Alberto Juliano (Carlos), Renê Dantas (Alfredo), Antônio Carlos (Julinho) e Gianete Franco (Isabel); já na fase adulta os papéis ficaram a cargo de Plínio Marcos (Carlos), Roberto Orosco (Alfredo), Tony Ramos (Julinho) e Guy Loup (Isabel). Outros personagens foram interpretados por Dina Lisboa (Tia Emília) e Serafim Gonzalez (Almeida).


Capa da Editora Bels,
com fotos da novela de 1977
A terceira adaptação, de Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, também foi exibida pela TV Tupi no horário das 19 horas (depois alterado para 19:30), entre 6 de junho e 31 de dezembro de 1977, com direção de Atílio Riccó e Plínio Paulo Fernandes. Dessa vez, Dona Lola foi interpretada por Nicette Bruno e Júlio por Gianfrancesco Guarnieri. Os filhos de Dona Lola na infância foram interpretados por Paulo César de Martino (Carlos), Douglas Mazzola (Alfredo), Marcelo Pindorf (Julinho) e Ivana Bonifácio (Isabel); já na fase adulta foram interpretados por Carlos Augusto Strazzer (Carlos), Carlos Alberto Riccelli (Alfredo), Ewerton de Castro (Julinho) e Maria Isabel de Lizandra (Isabel). Outros personagens foram interpretados por: Geórgia Gomide (Clotilde), Edgard Franco (Almeida), Jussara Freire (Olga), Paulo Figueiredo (Zeca), Maria Cecília Camargo (Dona Genú), João José Pompeo (Seu Virgulino) e Nydia Lícia (Tia Emília), entre outros.


Capa do Clube do Livro
A quarta adaptação é um remake (regravação, refilmagem) da versão de 1977, e o texto foi retrabalhado apenas por Rubens Ewald Filho(Sílvio de Abreu estava iniciando o roteiro da telenovela A próxima vítima para a TV Globo). Foi exibida pelo SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) no horário das 19:45 entre 9 de maio e 5 de dezembro de 1994, com direção de Nilton Travesso, Del Rangel e Henrique Martins. Nessa nova versão, Dona Lola foi interpretada por Irene Ravache e Júlio por Othon Bastos. Os filhos de Dona Lola na infância foram interpretados por Caio Blat (Carlos), Wagner Santisteban (Alfredo), Rafael Pardo (Julinho) e Carolina Vasconcelos (Isabel); já na fase adulta foram interpretados por Jandir Ferrari (Carlos), Tarcísio Filho (Alfredo), Leonardo Brício (Julinho) e Luciana Braga (Isabel). Outros personagens foram interpretados por: Jussara Freire (Clotilde), Paulo Figueiredo (Almeida), Denise Fraga (Olga), Osmar Prado (Zeca), Jandira Martini (Dona Genú), Marcos Caruso (Seu Virgulino) e Nathália Timberg (Tia Emília), entre outros. Foi um grande sucesso e já foi reprisada várias vezes.
Capa do Círculo do Livro

No Brasil, Éramos seis foi publicado inicialmente pela Companhia Editora Nacional (1944), passando posteriormente pela editora Brasiliense (1944-1954), pela editora Saraiva (1957-1969), inclusive na popular Coleção Saraiva (1960) em dois volumes. Houve outras editoras como a Bels (na coleção Grandes Novelas da TV, com fotos da telenovela da TV Tupi em 1977), Círculo do Livro (1975 e 1998) e Clube do Livro (1985) até chegar à editora Ática, primeiramente na coleção Bom Livro e depois na famosa coleção Vaga-Lume (1973-2012). Recentemente, em 2013 e 2014, a editora Ática lançou uma edição do livro em uma nova capa. Mas a respeito das edições dos livros de Maria José Dupré pela editora Ática, será assunto em outra postagem [link].

Capa da revista em quadrinho
Edição Maravilhosa Nº 128, da editora Ebal
E ainda, pra terminar essa postagem, vale lembrar que quando a editora Ebal publicava a revista “Edição Maravilhosa” (década de 1940, 1950 e 1960), que adaptava em quadrinhos clássicos da literatura brasileira e mundial, Éramos seis recebeu sua adaptação no número 128, publicado em julho de 1956, com capa e ilustrações desenhadas pelo haitiano André Le Blanc (1921-1998).

Sem mais, good reading for you, buena lectura para usted, buona lettura per voi, bonne lecture pour vous, gute lektüre für sie, pānui pai hoki a koutou, sizin için iyi bir okuma... Boa leitura para vocês!

No meu último aniversário, recebi um pacote de minha irmã vindo de Itapetininga; abri com curiosidade. Havia "uma" caixa de figos cristalizados, "uma" lata de goiabada em calda e "um" tijolo de pessegada. Apenas.
(trecho extraído do final do último capítulo do livro)

Capas duras pela Editora Brasiliense, respectivamente em 1946, 1948 e 1951.

O romance de Teresa Bernard, por Maria José Dupré (Sra. Leandro Dupré)

Quando uma escritora iniciante alcança mais do que as expectativas: O lançamento de O Romance de Teresa Bernard, da Sra. Leandro Dupré, em 1941.


por Daniel Medeiros Padovani

Capa da 1ª edição, publicada pela
Civilização Brasileira em 1941
Era o começo da década de 1940. Em uma reunião na sede da Companhia Editora Nacional, em São Paulo, pessoas discutiam o futuro de uma escritora iniciante. A autora do livro, que teria todas as despesas da publicação pagas por seu marido, disse que preferia usar um pseudônimo e sugeriu um que ela havia usado ao escrever um conto para um jornal: Mary Joseph.

Mas o pseudônimo escolhido pela autora gerou polêmica, já que o editor, Arthur Neves, tinha a opinião de que um romance com tal pseudônimo já estava condenado ao fracasso. Muito foi discutido, ideias foram trocadas, pessoas foram consultadas. Por fim, o marido da escritora, Leandro Dupré, presente na reunião e o grande incentivador da esposa, sugeriu: "E se ficar Senhora Leandro Dupré? O que o senhor acha?"

Capa da 3ª edição, publicada pela
Editora Brasiliense em 1944
A sugestão foi aceita e em 1941 chegava nas livrarias, em publicação da editora Civilização Brasileira (pertecente a Companhia Editora Nacional), um livro de 452 páginas, de uma desconhecida e iniciante Sra. Leandro Dupré,  intitulado O romance de Teresa Bernard. Alcançando sucesso imediato, a edição se esgotou em pouco tempo, proporcionando rapidamente ao engenheiro Leandro Dupré a recuperação de todo capital investido no lançamento da esposa como escritora. E é claro que uma nova tiragem do romance foi providenciada, dessa vez totalmente custeada pela editora (a 2ª edição foi lançada em 1943). Respondendo a uma questão que Leandro Dupré disse a esposa em tom de brincadeira naquela reunião ao sugerir o uso de seu nome como pseudônimo ("Iremos juntos para o sucesso ou para o fracasso..."), o caminho trilhado pela nova escritora seria de sucesso...

A Sra. Leandro Dupré continuaria a publicar muitos outros títulos de grande alcance popular, inclusive para o público infantil, durante toda a década de 1940, 1950 e 1960, usando o nome de seu marido. Mas a partir de 1965, ela adotaria seu próprio nome, Maria José Dupré, nome usado atualmente nas frequentes reedições de muitos livros de sua autoria. Acho que agora o leitor do blog percebeu sobre quem estou escrevendo: a autora dos clássicos Éramos seis, A ilha perdida e O cachorrinho Samba, livros que conduziram muitas crianças ao fantástico mundo da literatura e os tornaram leitores para a vida toda. Eu, por exemplo, fui fisgado ao mundo literário pela A ilha perdida.

Maria José Fleury Monteiro, o 8º filho do casal Antonio Lopes Monteiro e Rosa Augusta de Barros Fleury, nasceu em 1 de maio de 1905 na fazenda Bela Vista, na cidade paulista de Botucatu. Alfabetizada pela mãe e pelo irmão mais velho, Maria José estudou música em aulas particulares e pintura no Colégio dos Anjos, em Botucatu. Mudou para São Paulo, a capital do estado, onde cursou a Escola Normal Caetano de Campos e se formou como professora. Logo em seguida veio o casamento com o engenheiro Leandro Dupré, passando então ao nome de casada: Maria José Fleury Monteiro Dupré.

Fotografia da escritora
Fotografia da escritora na década de 1940
Maria José Dupré iniciou seu entusiasmo com os livros antes mesmo de começar a frequentar a escola. Seus pais tinham o hábito de ler e desde pequena Maria José já havia entrado em contato com os clássicos literários portugueses e mundiais. Sua carreira literária iniciou devido ao incentivo do marido, que costumava dizer que suas narrativas eram contos orais que mereciam ser escritos. Com esse incentivo, ela publicou no suplemento literário do jornal "O Estado de S. Paulo" seu primeiro conto, Meninas tristes, usando o depois rejeitado pseudônimo Mary Joseph. Do conto para o sucesso do primeiro livro foi um pulo.

O romance de Teresa Bernard, a história de uma mulher rica e culta, que procura encontrar, no ambiente luxuoso em que vive, um companheiro digno de seu amor, trouxe temas polêmicos para a época de seu lançamento, como a vida de uma mulher divorciada. O livro é narrado em primeira pessoa pela própria Teresa, que tem contato durante a narrativa, entre outros personagens, com Artur, Angelina, Dick, Elisabeth, Lucio, Luis Alberto, Malena, Maurice Leblanc, Tia Linda, Tia Olivia, Tio João Lins e Tianinha, inclusive durante sua viagem pela Europa.

Capa da 8ª edição, publicada pela
Editora Saraiva em 1957
por Nico Rosso
No Brasil o livro foi publicado inicialmente pela editora Civilização Brasileira (1ª e 2ª edição, 1941 e 1943). Posteriormente, ele passou a ser publicado pela editora Brasiliense (3ª a 7ª edição, entre 1944 e 1951) e pela editora Saraiva (8ª e 9ª edição, 1957 e 1967). Desde a sua última edição em 1967, já se passaram 50 anos (em 2017).

Capa da 9ª edição, publicada pela
Editora Saraiva em 1967
por Nico Rosso
Apesar do grande sucesso alcançado por O romance de Teresa Bernard, o maior sucesso da Sra. Leandro Dupré, ainda estava por vir. O seu segundo romance, lançado dois anos depois, alcançaria números surpreendentes e continuaria sendo querido e lido pelos brasileiros até os dias atuais, mais de setenta anos após seu lançamento. Mas esse será o assunto da próxima postagem... [link]

Sem mais, good reading for you, buena lectura para usted, buona lettura per voi, bonne lecture pour vous, gute lektüre für sie, pānui pai hoki a koutou, sizin için iyi bir okuma... Boa leitura para vocês!

 “Chegou a hora do nome. Eu disse que preferia um pseudônimo, o mesmo do conto: Mary Joseph. Houve discussão, troca de ideias, outros foram consultados. Ninguém compraria um livro de autor desconhecido e com nome esquisito. Imaginava os sorrisos engraçados: "Agora você virou romancista? Escritora?" E se ninguém comprasse? Se o romance não tivesse sucesso? Artur Neves falou com energia: "Um romance com esse pseudônimo estaria condenado ao fracasso..." Leandro teve uma ideia: "E se ficar Sra. Leandro Dupré? O que o senhor acha?" Voltou-se para mim e disse brincando: "Iremos juntos para o sucesso ou para o fracasso..."
 (trecho extraído da autobiografia da autora, Os caminhos, publicado em 1969 pela editora Saraiva)

Editora Brasiliense, 1951
Editora Brasiliense, 1947


R. Magalhães Júnior - ARTHUR AZEVEDO E SUA ÉPOCA (Editora Saraiva, Coleção Saraiva)



Título: Arthur Azevedo e Sua Época 
Autor (a): R. Magalhães Júnior [lista] 
Editora: Saraiva
Coleção: Saraiva (Nº 62) [lista]
Período de Publicação: agosto de 1953
Número de Páginas/Capítulos: 221 páginas, 34 capítulos
ISBN: -
Arte da Capa: Nico Rosso
Ilustrador (a): (Não há)
Edição Original: Arthur Azevedo e Sua Época, agosto de 1953, Brasil, editora Saraiva
Edições: 1ª (1953)




Júlio Verne [Jules Verne] - MIGUEL STROGOFF [2 volumes] (Editora Saraiva, Coleção Saraiva)



capa do volume 1
Título: Miguel Strogoff (2 volumes)
Autor (a): Júlio Verne (Jules Verne) [lista]
Editora: Saraiva
Coleção: Saraiva (Nº 60 e 61) [lista]
Série: As Viagens Extraordinárias (Nº 15)
Período de Publicação: junho e julho de 1953
Número de Páginas/Capítulos: 187 páginas (volume 1) e 182 páginas (volume 2)
ISBN: -
Arte da Capa: Nico Rosso
Ilustrador (a): (Não há)
Tradutor (a): Augusto Sousa
Edição Original: Michel Strogoff, 1876, França, editora Pierre-Jules Hetzel
Edições




capa do volume 2










Paul Vialar - AMOR DE MÃE (Editora Saraiva, Coleção Saraiva)



Título: Amor de Mãe
Autor (a): Paul Vialar [lista]
Editora: Saraiva
Coleção: Saraiva (Nº 59) [lista]
Período de Publicação: 1953
Número de Páginas/Capítulos: 137 páginas
ISBN: -
Arte da Capa: Nico Rosso
Ilustrador (a): (Não há)
Tradutor (a):
Edição Original: França
Edições: 1ª (1953)




Aristides Ávila - JUDAS (Editora Saraiva, Coleção Saraiva)



Título: Judas 
Autor (a): Aristides Ávila [lista]
Editora: Saraiva
Coleção: Saraiva (Nº 58) [lista]
Período de Publicação: 1953
Número de Páginas/Capítulos: 181 páginas
ISBN: -
Arte da Capa: Nico Rosso
Ilustrador (a): (Não há)
Edição Original: Judas, 1953, Brasil, Editora Saraiva
Edições: 1ª (1953)