Os livros infantis de Maria José Dupré – Parte 2: As aventuras do
cachorrinho Samba na cidade, na fazenda, na floresta, na Bahia e na Rússia!
por Daniel Medeiros
Padovani
Capa de "O cachorrinho Samba", pela Editora Brasiliense, por André LeBlanc |
Conforme foi mostrado na postagem
anterior [link], a escritora Maria José Dupré escreveu quatro livros para o
público infantil com aventuras de um grupo de crianças em uma fazenda de
Taubaté. No último livro dessa série, A
mina de ouro (1946), um novo personagem foi apresentado. Referimo-nos a um
cachorrinho chamado Samba, que conseguiu conduzir as crianças para fora de uma
série de túneis em uma montanha através de seu senso de orientação canino.
O adorável cachorro com certeza
conquistou o coração da escritora, que realmente tinha em sua casa um cão
chamado Samba, induzindo-a a criar uma série de aventuras para esse corajoso
cãozinho. Três anos depois de sua participação em A mina de ouro, Samba ganha
um livro só seu: O cachorrinho Samba,
publicado em 1949 pela editora Brasiliense.
Capa de "O cachorrinho Samba", pela Editora Saraiva, ´por Nico Rosso |
O livro inicia com a chegada do
cãozinho, ainda com dois meses de idade, à casa de seus futuros donos. Era o
mês de fevereiro, época do Carnaval, e enquanto no rádio sambas eram tocados, o
pequeno filhote parecia dançar ao som do ritmo. Dessa engraçada cena é que
surgiu a inspiração para seu nome: Samba. Os nomes das crianças da casa que tiveram a sorte de ganhar Samba foram Vera e Pedro, filhos de dona Maria e do "doutor". É isso mesmo, galera, Pedro é o mesmo Pedrinho
de A mina de ouro e primo dos
aventureiros Henrique, Eduardo, Oscar, Quico, Lúcia e Cecília dos livros
da série infantil anterior da escritora, tanto é que eles visitam a casa e
brincam com o pequeno Samba, que é cuidado e alimentado pela empregada da casa,
Dermina, e tem um carinho imenso pela Vovó e seu colinho macio.
Na casa de Pedro existe outro
cão, Whisky, que despreza Samba no início. Certo dia, Whisky consegue escapar
da casa e ao voltar mostra à Samba as desvantagens da vida na rua, já que ele
volta todo machucado. Mas Samba não aprende a lição através do exemplo ocorrido
com Whisky, e acaba fugindo de casa também. Em sua rua, ele conhece um cão da
vizinhança chamado Cricri, que o convida a dar uma volta pela vizinhança. No
caminho, eles conhecem outro cão, vira-lata, e Samba decide mostrar sua coragem
ao deixar Cricri voltar sozinho, indo para mais longe de sua casa, perdendo-se
na cidade. E assim como aconteceu com Whisky, Samba descobre por conta própria
a dureza da vida nas ruas de uma cidade grande: pulgas, fome, pessoas
ameaçadoras, lugares desconhecidos. Além disso, ele é preso por outra família,
que corta seu rabo, e lhe dá um novo nome, Feitiço. Agora, Samba precisa
conseguir uma nova oportunidade de fuga, para assim tentar voltar para o seu
verdadeiro lar.
Capa de "O cachorrinho Samba na floresta", pela Editora Brasiliense, por André LeBlanc |
No segundo livro da série, O cachorrinho Samba na floresta,
publicado pela editora Brasiliense em 1952, Samba vai morar numa chácara.
Curioso como ele só, decide ir até uma floresta próxima à chácara para
descobrir se existe algo interessante por lá. Penetrando cada vez mais na mata,
Samba não encontra o caminho de volta naquele mundo verde, cheio de mistérios e
perigos. Em certo momento, Samba escuta um estranho barulho, e descobre que
caçadores estavam à procura de macacos saguis. Um dos animais caçado consegue
fugir e se torna amigo de Samba, apresentando a ele o fantástico mundo de vida
na floresta. Mas uma onça-pintada está à espreita, e Samba e seus amigos terão
que dar um jeito de escapar dela, para que ele possa voltar para sua casa.
Capa de "O cachorrinho Samba na floresta", pela Editora Saraiva, por Francisco Xavier de Paiva Andrade |
Os dois livros foram publicados
inicialmente pela editora Brasiliense e teve a capa e as ilustrações internas
desenhadas pelo haitiano André LeBlanc (1921-1998). A partir do final da década
de 1950, mais exatamente a partir de 1957, Maria José Dupré (ou Senhora Leandro
Dupré, como era conhecida na época) passou a publicar seus livros pela editora
Saraiva. A editora relançou novamente os dois livros da série (juntamente com
os outros livros da autora). O italiano Nico Rosso (1910-1981) desenhou a capa
e as ilustrações de O cachorrinho Samba, enquanto o brasileiro Francisco Xavier
de Paiva Andrade (1896-1972) desenhou de O cachorrinho Samba na floresta. E as
aventuras do pequeno Samba não pararia por aí. Maria José Dupré ainda lançaria
mais 4 livros com as aventuras do cão pela editora Saraiva...
Capa de "O cachorrinho Samba na Bahia", péla Editora Saraiva, por Nico Rosso |
E Maria José Dupré veio com a
nova aventura do cãozinho no mesmo ano em que passou a publicar na editora
Saraiva. Em 1957 ela publicou O
cachorrinho Samba na Bahia (que teve sua 2ª edição lançada em 1967). Dessa
vez, como o próprio título diz, Samba viaja para Bahia, conhecendo vários
locais interessantes nesse estado brasileiro. O livro não é editado no Brasil a
50 anos (em 2017), talvez devido a várias passagens consideradas preconceituosas
nos dias de hoje, principalmente com relação aos sertanejos participantes da
Guerra dos Canudos, liderados pelo beato Antônio Conselheiro. A capa e as
ilustrações foram criadas por Nico Rosso.
Capa de "O cachorrinho Samba na Rússia", pela Editora Saraiva, por Francisco Xavier de Paiva Andrade |
A quarta aventura de Samba foi
publicada em 1964 e agora suas andanças acontece internacionalmente. Ele vai
para a Rússia! Com capa e ilustrações de Francisco Xavier de Paiva Andrade, O
cachorrinho Samba na Rússia ganhou no ano de seu lançamento o Prêmio
Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, que é considerado o maior prêmio
literário do Brasil. Apesar disso ele teve apenas essa edição, talvez por se
passar na Rússia (comunista/socialista) num ano que o Brasil estava entrando na
ditadura militar. No ano seguinte, 1965, saía o quinto livro de Samba, O cachorrinho Samba entre os índios,
com suas proezas realizadas entre os índios brasileiros, o que já fica
claríssimo no título, rsrsrs... Ambos os livros deixaram de ser editados, assim
como O cachorrinho Samba na Bahia, no
final da década de 1960. Novamente Francisco Xavier de Paiva Andrade desenhou
as capas e as ilustrações.
Capa de "O cachorrinho Samba na Fazenda Maristela", pela Editora Saraiva, por Francisco Xavier de Paiva Andrade |
O último livro da série, lançado
em 1967, recebeu o título de O
cachorrinho Samba na Fazenda Maristela, e teve outra vez a capa e as
ilustrações por Francisco Xavier de Paiva Andrade. Nessa nova aventura, Samba
viaja de avião com sua dona para passar uma temporada na Fazenda Maristela. Lá
ele conhece dois cachorros, a xará Samba e a Kube. Os três participam de
brincadeiras com seus donos, enquanto o Samba da cidade participa do dia a dia
de quem vive no campo, com atividades como andar a cavalo, encontrar algumas
vacas, caçar tatu, entre outras. E assim são encerradas as muitas aventuras do
cachorrinho Samba em 18 anos de existência (a série começou a ser publicada em
1949 e o último volume inédito saiu em 1967).
Capa de "O cachorrinho Samba entre os índios", pela Editora Saraiva, por Francisco Xavier de Paiva Andrade |
No começo da década de 1970, os
direitos de publicação das obras de Maria José Dupré passaram para a editora
Ática, que continua reeditando os livros infantis da autora até os dias de
hoje, tornando conhecido por muitos garotos e garotas do século XXI esses
personagens marcantes que encantam gerações há mais de setenta anos (ou seja,
possivelmente seus pais ou avós também leram as aventuras do cachorrinho Samba
e das crianças na fazenda do padrinho em sua infância). Mas, infelizmente, por
motivos desconhecidos por esse humilde blogueiro que vos escreve (rsrsrsrs),
quatro dos livros infantis da autora não foram reeditados pela Ática. São eles:
Aventuras de Vera, Lúcia, Pingo e Pipoca;
O cachorrinho Samba na Bahia; O cachorrinho Samba na Rússia; e O cachorrinho Samba entre os índios. A ilha perdida passou a ser lançado na queridíssima série Vaga-Lume, e aí
fez uma história de sucesso estrondoso, com milhões de cópias vendidas. Os
outros foram publicados pela Ática dentro de uma coleção que a editora batizou
de "Cachorrinho Samba". Estão
lá A montanha encantada, A mina de ouro, O cachorrinho Samba, O
cachorrinho Samba na floresta e O
cachorrinho Samba na fazenda, que como vocês puderam perceber, perdeu o
nome da fazenda (Maristela) no título. Sobre a publicação da obra de Maria José
Dupré na editora Ática, leia mais na postagem que se encontra nesse link.
E para terminar essa postagem,
fica a citação que Maria José Dupré fez do poeta brasileiro Belmiro Ferreira
Braga (1872-1937) no final de O
cachorrinho Samba:
“Se entre amigos encontrei cachorro. Entre os cachorros encontrei-te, amigo!”
Sem mais, good reading for you, buena lectura para usted, buona lettura per voi,
bonne lecture pour vous, gute lektüre für sie, pānui pai hoki a koutou, sizin
için iyi bir okuma... Boa
leitura para vocês! \o/
Adorei o post!!!
ResponderExcluirMuito bom!
ResponderExcluirMuito bom o post. Gostei muito do trabalho do Francisco Xavier de Paiva Andrade.
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ResponderExcluirشركة الصفرات لرش المبيدات
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Maravilhoso!Quando era criança li muitas vezes e agora adulta,quando fiquei sabendo dos outros livros raros que eu não tinha lido, sendo o cachorrinho samba na Rússia, na Bahia e entre os índios comprei todos e me senti como criança lendo.
ResponderExcluirOnde vc conseguiu comprar?!
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