Canção para chamar o vento (Rosana Rios e Eliana Martins, 1995)

CANÇÃO PARA CHAMAR O VENTO é um livro das escritoras brasileiras Rosana Rios e Eliana Martins, direcionado para o público infantil. Ele foi publicado em 1995 pela editora Moderna dentro da coleção Girassol [capa 1: 1995] [capa 2: 2003], com ilustrações de Cecília Iwashita.

Uma história de fadas, reis e princesas. Que interesse tem isso para um menino de rua? Ele queria uma esmola, ganhou uma história. Pensava conseguir um sanduíche, ficou com um livro. De que lhe adianta aquilo, se não sabe ler? Mas, enquanto o homem conta a história para o menino de rua, e o rei tenta impedir que a princesa se apaixone pelo rapaz do povo, o Vento faz das suas, leva recados, abre portas, areja as ideias na cabeça dos personagens e dos leitores. Pois ele é o elo que une a ficção e a vida real, está presente dentro das histórias e no nosso mundo. E para chamar o Vento, basta cantar uma canção...

Há uma delicadeza comovente na relação do menino de rua com o homem que, juntos, envolvem-se com a Canção para chamar o vento. O garoto, sem perceber, vai se interessando pelo encantamento de uma boa história. No livro, os dois ambientes narrativos se alternam. Em um espaço há a cidade, a torre da igreja, o homem, o menino, o banco da praça, a polícia, os outros meninos de rua, o viaduto, o vento. No outro, um reino, o vento, o rei, a princesa e o rapaz do povo, o amor de ambos, a proibição do pai e a ajuda do vento. No final, o menino de rua ganha o livro do homem. Ele não sabe ler, mas leva o presente. À noite, em meio à indiferença da cidade e de seus habitantes, embaixo do viaduto, uma fogueira, a igualdade de condição e o livro aquecem os jovens. O vento vela pelo sono deles. Dessa forma, as autoras do livro conseguem, corajosamente, tecer um fio que enlaça os dois mundos: o de crianças injustiçadas pela vida e o mundo da literatura. Ressignificam, assim, o desejo do que gostaríamos de alterar: a desumanização a que essas crianças estão sujeitas, em especial aproximando-as da arte e da literatura, como expressões humanas fundamentais.

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